fbpx

Adubo: saiba tudo para ter plantas saudáveis

adubo como usar

Você quer melhorar a produção das suas plantas, ouviu falar que adubo é importante, mas não sabe qual tipo escolher, como usar e nem quando fazer a aplicação?

Então você está no lugar certo. Aqui vamos te mostrar tim-tim por tim-tim o que o adubo pode fazer por suas plantas.

Navegue pelos seguintes temas e conheça tudinho sobre adubo:

O que é adubo?

Quais são os tipos de adubo?

Adubo orgânico

Adubo mineral

Adubo organomineral

Quando adubar?

Como fazer um medidor para adubo

adubo orgânico
Conhecer os tipos de adubo auxiliam muito na hora de fazer a melhor escolha. — Foto: Pixabay

O que é adubo?

Se você ainda tem uma vaga ideia sobre o que é adubo, saiba que é basicamente a comida das plantas.

Isso mesmo! O adubo fornece os nutrientes que as plantas precisam para se desenvolverem melhor.

Nesse aspecto, a planta é como a gente. Quando está bem alimentada, fica mais saudável, resistente e bonita.

Mas tem diferença entre adubo e fertilizante? Não. Embora utilizada mais para se referir a adubos comerciais, “fertilizante” é apenas outra palavra com o mesmo significado de adubo.

Para que serve?

Mesmo achando que já sabe a resposta, não pule este item.

Até porque você pode estar aí se questionando se vale mesmo a pena usar adubo nas suas plantinhas, já que, na natureza, as plantas se alimentam “sozinhas”.

Sim, é bem verdade que, em condições naturais, lá no meio da floresta densa e variada, as plantas recebem adubos orgânicos de todo tipo. São folhas que se decompõem, animais que deixam suas fezes em local apropriado, entre outras situações.

Entretanto, uma plantação de uma só cultura, canteiros levantados ou ainda uma horta doméstica, especialmente em vasos, vai precisar de uma ajudinha extra.

Até porque é o adubo que possibilita o sucesso desse tipo de plantio, deixando as plantas muitos mais resistentes às mudanças climáticas, ao ataque de pragas e ao aparecimento de doenças.

Outra vantagem da utilização do adubo é o surgimento de outros tipos de cultura, como a hidroponia, que existe graças à fertilização por meio de uma solução nutritiva. Clique aqui e descubra como essa técnica funciona.

Quais são os tipos de adubo?

Há basicamente três tipos de adubo: adubo orgânico, adubo mineral e adubo organomineral.

Os nomes já dão pistas de como eles funcionam, mas não custa reforçar: o adubo orgânico é aquele produzido com materiais de origem orgânica, isto é, animal ou vegetal. 

Já o adubo mineral é aquele formado de um composto químico contendo um ou mais nutrientes, podendo ser simples ou misto.

Por fim, o adubo organomineral é aquele que combina matéria orgânica com fertilizantes minerais em um único produto.

Adubo orgânico

como fazer adubo orgânico
O composto orgânico é muito utilizado no cultivo de hortaliças. — Foto: Embrapa/ Auras, Nátia Élen

O adubo orgânico, como dissemos, é aquele produzido com materiais de origem orgânica.

A grande vantagem desse tipo de adubo é que, na maioria das vezes, você precisa apenas do que você costuma jogar fora, ou seja, não gasta quase nada com a sua produção.

E ainda contribui com o  meio ambiente, já que, no Brasil, são produzidas cerca de 242 mil toneladas de lixo, sendo 60% de lixo orgânico.

Veja os exemplos abaixo e surpreenda-se com as possibilidades de transformar muita coisa descartável em energia de qualidade para as suas plantinhas:

Cinzas

Às vezes a terra é ácida demais para as plantas e, por isso, elas não crescem direito. 

Você já deve ter ouvido falar em calagem (se não, corre lá no item adubação de correção deste artigo). Nesse processo, a correção da acidez é feita com calcário, dois ou três meses antes do plantio. 

Entretanto, saiba que, em substituição ao calcário, você pode usar cinza de fogão a lenha ou de fogueira. É bem mais barata e tem nutrientes especiais  para as plantas, como o potássio.

“Muito legal”, você deve estar pensando, “mas eu não tenho cinzas aqui em casa”. Como você não está sozinho nessa, anote esta dica: peça as cinzas de uma pizzaria ou de uma padaria. Nesses locais, eles costumam jogar as cinzas fora. Então você vai estar fazendo um duplo favor para o meio ambiente.

Entretanto, mesmo sabendo que é muito bom plantar em lugares com grande quantidade de cinzas, não queime o mato, pois, assim, você põe em risco toda a área em volta.

Como usar as cinzas

Quanto ao uso, você pode colocar um quilo de cinza em cada cova de árvore frutífera, por exemplo, ou misturar as cinzas na fabricação do composto orgânico.

Outro uso incrível das cinzas é na fabricação de receitas caseiras contra pragas e doenças. Clique aqui para receber uma receita grátis.

Farinha de ossos

É possível usar um adubo com os ossos que sobram (de peixes, aves, caprinos, ovinos, suínos ou bovinos). A farinha de ossos é rica em fósforo e cálcio.

Para isso, faça o seguinte:

Primeiro, junte os ossos em um monte e cubra tudo com bastante lenha.

Depois, ponha fogo, de preferência à noite, quando os ventos são mais fracos. Você também pode fazer esse processo aí na sua churrasqueira.

No dia seguinte, com o monte frio, separe o carvão e retire os ossos queimados junto com as cinzas.

Por fim, triture-os no pilão. Se não tiver pilão, um simples liquidificador dá conta do recado. Você também pode colocá-los em um pano e esfarelar tudo com um martelo.

Como usar a farinha de ossos

Antes do plantio, coloque  meio quilo de farinha de ossos em cada cova e misture bem com a terra. 

Depois, molhe por 15 dias. 

Apenas quando passar este prazo, coloque outros tipos de adubo. 

E continue molhando por mais oito dias antes de plantar. 

Mas por quê? É preciso um tempo para evitar que as sementes, ao brotar, sejam queimadas pelo adubo.

Depois você pode utilizar normalmente a farinha de ossos como adubo de cobertura, polvilhando sobre a terra a cada 30 dias.

Para finalizar, deixamos aqui uma dica: se quiser potencializar o adubo, junte cascas de ovos aos ossos na hora da queima.

Esterco

esterco
O esterco bovino é amplamente utilizado. — Foto: Pixabay

Agora chegamos no tipo de adubo orgânico mais conhecido: o esterco. Embora o bovino seja o mais comum, você pode utilizar esterco de todos os animais criados em sua propriedade. 

Isso significa que cada vaca, porco, galinha, coelho, jumento, cavalo, bode e ovelha que você tem aí é uma verdadeira fábrica de adubo orgânico.

O esterco é um tipo de adubo essencial, cujo principal nutriente é o nitrogênio, responsável pelo crescimento e pela produção das plantas.

Além disso, o esterco deixa a terra mais fofa e ajuda a manter sua umidade. A terra precisa receber de volta um pouco do que dá às plantas, por isso, o uso do esterco é tão importante no plantio.

Como usar o esterco

Se for utilizar esterco de galinha, você não precisa de grandes quantidades. Coloque cinco litros de esterco de galinha, bem curtido, por cova de árvore frutífera ou por metro de canteiro. 

Para os demais estercos, aplique 10 litros por cova de fruteira.

No canteiro, aplique de 5 a 10 litros por metro de canteiro; e 5 litros para cada metro linear de sulco. 

Mas atenção: você deve curtir os estercos por, no mínimo, 30 dias, e sua aplicação deve ser feita quinze dias antes do plantio.

Biofertilizante

Outra forma de usar o esterco é a partir da sua fermentação, produzindo-se assim um potente biofertilizante. Veja abaixo como fazer esse processo:

Materiais

Você vai precisar de:

  • 1 tambor com tampa (com capacidade de 50 a 200 litros);
  • 1 mangueira de meia polegada e de 1 metro e meio de comprimento;
  • 1 garrafa PET de 2 litros.
Modo de fazer

Primeiro, faça um furo na tampa para passar a mangueira.

Dentro do tambor, coloque metade de esterco e metade de água, deixando livres 15 cm (de 7 a 8 dedos) entre o líquido e a tampa.

Em seguida, misture bem.

Depois, passe a mangueira no furo da tampa e deixe uma das extremidades acima do líquido do tambor e a outra, dentro da garrafa PET (que deve estar cheia de água).

Esse “sistema” deixa passar o gás formado no tambor sem deixar entrar ar. Só que, para isso, é necessário deixar a mangueira bem vedada.

Após 30 dias, filtre o líquido do tambor usando um pano. A parte líquida é o biofertilizante.

Por fim, deixe a parte sólida ao ar livre para ser usada normalmente como adubo depois de cerca de 30 dias.

Como usar o biofertilizante

Para usar o biofertilizante, dilua na base de duas partes para uma parte de água.

Use essa mistura, imediatamente, para regar em volta das plantas. 

Portanto, não molhe as plantas diretamente, mas somente a terra em volta delas. 

O chorume produzido a partir da compostagem doméstica também pode ser utilizado (bem diluído) como biofertilizante. Clique aqui e saiba como.

Torta de mamona

A torta de mamona é o resíduo da extração de óleo das sementes da mamoneira (Ricinus comunis).

Ela tem a vantagem de ser uma excelente fonte de nitrogênio e liberá-lo  mais rapidamente que outros adubos orgânicos, como o esterco de gado.

Além disso, a torta de mamona é comprovadamente eficaz no controle de nematoides, que são aqueles vermes de solo que provocam a doença das galhas nas raízes.

E ela é tóxica para alguns tipos de insetos que danificam as plantas, o que ajuda no combate a pragas.

A única desvantagem é que ela é tóxica também para animais domésticos, tendo de ser utilizada com muita cautela.

Isso porque ela contém uma substância chamada ricina, que provoca vômitos, diarréia, convulsões e pode levar à morte.

Como fazer a torta de mamona

Para começar, saiba que é preciso ter muito cuidado no manuseio. Portanto, use máscara e luvas. 

Além disso, faça todo o processo de separação das sementes em um lugar aberto e bem ventilado.

Em seguida,  coloque as sementes em um tecido ou plástico e amasse com um auxílio de um martelo, até elas ficarem bem trituradas, para facilitar a saída do óleo da mamona.

Depois coloque para secar, de preferência sob o sol, retirando na hora do sereno, para não retardar o processo, por conta da umidade.

Depois de cerca de 2 semanas, com as sementes bem secas, a torta de mamona estará pronta.

Caso você tenha um liquidificador para este tipo de uso, ou seja, que não é utilizado para preparar alimentos, bata as sementes, para que elas fiquem ainda mais trituradas, o que facilita a absorção de nutrientes pelas plantas.

Se você quer um adubo orgânico completo e poderoso, também pode optar pelo adubo bokashi. Clique aqui e receba grátis uma receita caseira.

Adubo verde

Adubo verde é uma planta rica em nitrogênio, cultivada antes da plantação principal, com o objetivo de “preparar o terreno”, ou seja, enriquecer o solo.

Por isso, a adubação verde é recomendada para plantações maiores, já que é necessário deixar o terreno ocupado com as plantas por um período inteiro de plantio, para que elas se desenvolvam. 

Exemplos clássicos de plantas usadas como adubos verdes são as leguminosas, como o guandu, o amendoim, a mucuna, a soja e todos os feijões.

Funciona assim: depois de crescida, a leguminosa que você plantou pode ser enterrada com o uso de um arado, ou pode simplesmente ser roçada e deixada como cobertura do solo. 

Neste último caso, além de adubar, a planta protege a terra, inibindo, inclusive, o aparecimento de plantas daninhas.

Outra forma de usar as leguminosas como adubo verde é colhê-las normalmente e enterrar a palhada.

O girassol também é utilizado como forma de adubo verde. Clique aqui e saiba como plantar girassol.

Composto orgânico

composto orgânico
O composto é um adubo orgânico extremamente rico em nutrientes. — Foto: Embrapa/ RESENDE, Francisco Vilela

Se você tem um espaço generoso aí no seu terreno, vale a pena apostar em um composto orgânico. 

Isso porque compostos orgânicos são excepcionais no aumento da produtividade das plantas. 

Exemplo disso é um estudo da Embrapa Hortaliças, que mostrou que o seu uso apresentou melhores resultados nas culturas de alface, cenoura e milho, em comparação com outros tipos de adubo, conforme tabela abaixo:

Grosso modo, você vai separar um local e, de preferência, montar um cercado de varas, para “juntar e misturar” os materiais orgânicos, fazendo um super adubo.

Mas tem alguns segredinhos. E o primeiro e mais importante é não transformá-lo em um monte de lixo

Isso mesmo! O monte de composto só deve receber material orgânico.

Portanto, não jogue latas, vidros, cacos, plásticos ou outros materiais não-orgânicos no monte de composto.

Além disso, você vai precisar molhá-lo e revirá-lo, para controlar a temperatura dele. Ela aumenta por conta da fermentação dos materiais orgânicos.

Quer saber mais? Clique aqui e acompanhe o passo a passo para montar um composto orgânico de excelente qualidade.

Composteira doméstica

composteira como fazer
O que você descarta pode virar um adubo de qualidade. — Foto: reprodução/ Epagri

Se o seu espaço é pequeno, mas você não quer deixar de produzir um adubo de excelente qualidade para as suas plantas, aposte em uma composteira doméstica.

Trata-se basicamente de uma recicladora de lixo orgânico

O que faz diferença é o modo como ela é montada, proporcionando a geração do adubo que você precisa para as plantinhas que cultiva.

E, ao contrário do que muita gente pensa, ela não tem cheiro e não atrai insetos. Por isso, pode ser mantida até mesmo em apartamento.

Você pode usar minhocas para acelerar (e potencializar) a produção de adubo ou optar por não usar minhocas. Sabia dessa possibilidade? 

Clique aqui e conheça o passo a passo para fazer uma composteira sem minhocas.

Adubo mineral

adubo mineral
Adubos minerais são compostos de macro e micronutrientes. — Foto: Istock

O adubo mineral é um complemento para a adubação orgânica. 

O objetivo de sua utilização é garantir que as plantas recebam uma nutrição completa, com todos os nutrientes que elas precisam para se desenvolver.

Isso resultará em folhas mais verdes, flores mais viçosas e frutos mais doces.

Veja o que cada macronutriente e micronutriente pode fazer por suas plantas:

Macronutrientes

Nitrogênio (N)

O nitrogênio é o elemento mineral que as plantas precisam absorver em maior quantidade. Ele é importante na formação das proteínas e incentiva o rápido crescimento, aumentando a produção de folhas. Sabe quando as folhas estão grandes, bonitas e verdinhas? É sinal que a planta está recebendo a quantidade necessária de nitrogênio.

Por outro lado, a carência de nitrogênio faz as plantas ficarem subdesenvolvidas, reduzindo o seu crescimento. Se a deficiência persiste, a maioria das plantas mostra clorose, ou seja, ficam com as folhas verde-claras. Elas também podem ficar avermelhadas e caírem (desfolha).

Fósforo (P)

O fósforo dá energia para as plantas, acelera a formação de raízes e de flores e estimula a coloração dos frutos. Esse elemento também ajuda na formação das sementes, dando vigor aos cultivos. Portanto, o fósforo é importante para que as plantas produzam bem.

Entretanto, a deficiência de fósforo causa manchas arroxeadas nas margens das folhas, além de plantas com aspecto raquítico e também baixo rendimento dos frutos e das sementes.

Potássio (K)

O potássio completa o famoso trio NPK, conferindo vigor às plantas e resistência contra doenças, pragas, frio e seca. Além disso, ele aumenta o tamanho da semente, melhora a qualidade dos frutos e favorece a coloração avermelhada nas folhas e nos frutos. 

Já a deficiência de potássio tem como sintomas a queimadura das folhas na parte baixa e também o enrolamento, que pode ser confundido com uma virose.

Cálcio (Ca)

O cálcio é um macronutriente que tem função estrutural. Ele ativa a precoce formação e crescimento das raízes pequenas, melhora o vigor geral das plantas e estimula a produção da semente. 

Os sintomas da deficiência de cálcio inicia-se com a deformação (“falta pedaço”) e enrugamento de folhas novas. Além disso, há a queimadura das bordas e das pontas das folhas (tip burn).

Magnésio (Mg)

O magnésio é um componente fundamental da clorofila, além de promover a ativação de uma série de enzimas e aumentar a absorção de fósforo.

Quando a planta apresenta deficiência de magnésio, ela apresenta perda da cor verde nas folhas e as raízes se ramificam demais, perdendo a força.

Enxofre (S)

O enxofre é um ingrediente essencial das proteínas e da clorofila, de vitaminas e óleos essenciais. É também importante para fixação de nitrogênio.

Em contrapartida, a deficiência de enxofre produz folhas mais escura que o normal, além de caules curtos, fracos, de cor amarela, desenvolvimento lento e raquítico. 

Você viu como a deficiência de macronutrientes pode afetar as plantas, não é mesmo? E isso as deixa muito suscetíveis ao ataque de pragas e ao aparecimento de doenças.

Se isso acontecer com as suas plantas, esteja prevenido. Clique aqui e receba grátis uma receita natural contra pragas e doenças.

Micronutrientes

Cobre (Cu)

O cobre é um micronutriente que influencia na respiração, na fotossíntese e no processo de fixação de nitrogênio.

Boro (B)

O boro aumenta o rendimento e melhora a qualidade das frutas e das verduras. É um elemento relacionado com a assimilação do cálcio e com a transferência do açúcar dentro das plantas. 

Além disso, é importante para a boa qualidade das sementes das espécies leguminosas.

Ferro (Fe)

O ferro é um elemento importante na síntese da clorofila e dos citocromos, influencia a respiração, a fotossíntese e a fixação do nitrogênio.

Manganês (Mn)

O manganês é um micronutriente que acelera a germinação e a maturação. Ele também  aumenta o aproveitamento do cálcio, do magnésio e do fósforo.

Zinco (Zn)

O zinco é necessário para a formação da clorofila e para o crescimento das plantas.

Ele também é um ativador enzimático relacionado à síntese proteica. Grosso modo, isso significa que ele acelera a produção de proteína a ser absorvida pelas plantas.

Molibdênio (Mo)

O molibdênio é um elemento fundamental na fixação do nitrogênio por leguminosas.

Adubo organomineral

plantas pulgões
O adubo orgamineral é um misto entre os adubos minerais e orgânicos. — Foto: Pixabay

O adubo organomineral combina matéria orgânica com fertilizantes minerais em um único produto.

Bioestimulantes

Os fertilizantes bioestimulantes são exemplos de adubos organominerais.

Eles representam um equilíbrio entre um fertilizante puramente orgânico e um mineral.

Entre suas funções, incrementam a produção, melhoram a qualidade das sementes, estimulam o desenvolvimento das raízes, favorecem o equilíbrio hormonal da planta e proporcionam germinação mais rápida e uniforme.

Por conter substâncias naturais em sua composição, eles são capazes de fazer tudo isso sem prejudicar a saúde da natureza e dos trabalhadores.

Quando adubar?

Agora que você conhece os tipos de adubo, é hora de falar sobre o momento certo de adubar

Descubra os tipos de adubação que você pode fazer para planejar e melhorar o seu cultivo de forma mais assertiva:

Adubação de correção

A adubação de correção é feita no preparo da área a ser plantada, antes da instalação de plantio.

O melhor a se fazer é providenciar uma análise de solo. Para isso, você pode pedir a orientação de um técnico da Emater, da Embrapa, da prefeitura ou de alguma organização que preste assistência aos agricultores. 

A partir do resultado, você vai descobrir, entre outros detalhes importantes, qual a acidez do solo.

Como a maioria dos solos brasileiros são ácidos, com excesso de alguns metais pesados, na maioria das vezes, é recomendado fazer um processo de correção chamado de calagem, com o uso de calcário.

Calagem

E como fazer a calagem? A quantidade de calcário e a forma exata de incorporação ao solo vão depender do tipo de cultura que se quer reproduzir.

Entretanto, há algumas recomendações gerais. Por exemplo, é sempre bom distribuir uniformemente o calcpário a lanço, na superfície do solo e depois  proceder à sua incorporação ao solo o mais profundamente e da melhor maneira possível.

Em condições de agricultura de sequeiro, em que as chances de ocorrer veranitos são altas, a incorporação profunda do calcário é particularmente importante para possibilitar maior aprofundamento das raízes da planta, conferindo-lhes maior resistência em períodos de estiagem.

Quanto ao momento da aplicação, ela costuma ser feita de 1 a 3 meses antes do plantio, em duas etapas: primeiro antes da aração e, depois, antes da gradagem.

Vantagens

Além da neutralização da acidez do solo, a aplicação de calcário tem as seguintes vantagens:

  • Aumento da eficiência dos adubos e da absorção de nutrientes pelas plantas;
  • Aumento da disponibilidade de nutrientes do solo, como enxofre, fósforo, molibdênio e nitrogênio. Também há o suprimento de cálcio e de magnésio presentes no calcário;
  • Estímulo à atividade e ao aumento da população microbiana do solo, em consequência do aumento de pH e dos teores de cálcio e magnésio. Dessa forma, maiores quantidades de nitrogênio são fixadas pelos microrganismos, e a decomposição dos resíduos vegetais é mais rápida;
  • Melhoria das condições químicas do solo, pois diminui a concentração de elementos tóxicos (alumínio, ferro e manganês, por exemplo) na solução do solo, permitindo, assim, maior desenvolvimento das raízes das plantas.

Entretanto, como vimos, em pequenas áreas, é possível substituir o calcário por cinzas.

Adubação de plantio

A adubação de plantio, como o próprio nome sugere, é aquela feita por ocasião do plantio das sementes (quando feito diretamente no local definitivo) ou do transplantio das mudas.

Essa etapa é muito importante, pois tem a função de garantir as doses necessárias de nutrientes para o desenvolvimento das plantas.

Se você for plantar em covas, geralmente recomenda-se misturar o adubo com a terra de cima, ou seja, com a primeira metade da terra retirada na abertura da cova.

Depois, é feita a inversão, ou seja, essa terra misturada com o adubo é colocada no fundo da cova e a terra de baixo é colocada por cima dela, fazendo, inclusive, uma bacia para evitar o encharcamento das raízes. 

Clique aqui e veja esse procedimento detalhado no plantio de banana.

Se você for fazer o plantio em vasos, a adubação de plantio é feita na preparação deles. Para hortaliças, você pode utilizar uma recomendação geral da Embrapa Hortaliças, como detalhado no nosso conteúdo completo sobre horta. Clique aqui para conhecê-lo.

Adubação de cobertura

Tudo certo. Você preparou o solo, fez a correção da acidez (e de outras deficiências apontadas na análise de solo), depois fez uma adubação reforçada na cova de plantio.

Ótimo, mas não é só isso. A planta precisa de constantes reposições de nutrientes para se desenvolver. 

Isso significa que, em outras palavras, a planta precisa se alimentar bem para crescer saudável e resistente.

Aí é que entra a adubação de cobertura, que é feita, pela primeira vez, algum tempo após o plantio e repetida algumas vezes durante o ciclo da cultura.

Nesse caso, normalmente, o adubo é aplicado sobre o solo ao redor da planta, com ou sem incorporação.

Para finalizar, saiba que, toda vez que você fizer a adubação,  é importante molhar o solo. 

No caso de adubos minerais, a água ajuda a tornar o fertilizante solúvel (quando este for sólido). 

No caso de adubos orgânicos, além da solubilização, a água ajuda na mineralização, ou seja, na disponibilização dos nutrientes para as plantas.

O adubo Bokashi é uma excelente alternativa para esta fase do cultivo. Clique aqui para receber grátis uma receita caseira.

Adubação foliar

A adubação foliar é uma adubação complementar, feita por adubos na forma líquida, por meio de pulverizações dirigidas à parte aérea das plantas, como folhas, frutos, flores, caules e ramos.

Mas quando adotar esse tipo de adubação? Veja algumas situações indicadas:

  • Situações em que as deficiências nutricionais são facilmente identificadas, já que os resultados da adubação foliar são quase imediatos;
  • Condições adversas de absorção pelo sistema radicular. Por exemplo, seca extrema, solo encharcado e temperaturas muito altas do solo.

Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados, principalmente na aplicação, para evitar que haja queima das folhas.

Como fazer um medidor para adubo

Como bônus, vamos deixar aqui um passo a passo de como fazer um copo de medida para adubos sólidos usando uma garrafa PET de 2 litros:

  1. Primeiro, corte o gargalo da garrafa;
  2. Em seguida, divida o corpo da garrafa em 3 partes;
  3. Por fim, corte a parte que corresponde ao fundo da garrafa para usar como medidor.

Este “copo medidor”cheio corresponde a aproximadamente meio quilo.

Ilustrações: Embrapa

As nossas dicas fizeram sentido para você? Ficou com alguma dúvida? Clique aqui e receba uma consultoria voltada para as suas necessidades. Vamos construir, juntos, uma agricultura de sucesso!

E continue nos acompanhando! Bons lucros e até a próxima!

Veja também: 

Alface: como cultivar com mais lucratividade

Banana: como produzir mais e melhor

Tomate: saiba tudo para colher bons frutos

Referências

Adubação alternativa. ABC da Agricultura Familiar. Embrapa Informação Tecnológica. Brasília, 2006.

Adubação foliar: fatos e mitos. Embrapa Uva e Vinho.

Bioestimulantes e produção de hortaliças. Embrapa Hortaliças

Como plantar hortaliças. ABC da Agricultura Familiar. Embrapa Informação Tecnológica. Brasília, 2006.

Fertilizantes. Adubação para o Estado de Pernambuco. Embrapa Semiárido

Hidroponia. Núcleo de Estudos em Fruticultura no Cerrado. UFU – Universidade Federal de Uberlândia.

Hortas. Coleção 500 perguntas 500 respostas. Embrapa Informação Tecnológica. Brasília, 2013

Instruções práticas para produção de composto orgânico em pequenas propriedades. Comunicado Técnico 53. Brasília, 2006.

Manual prático de horticultura hidropônica para cultivar hortaliças em área urbana e periurbana. Laboratório de cooperação para o desenvolvimento – sistemas de cultivo e pós-colheita, Universidade de Pádua, Itália/ FUNACI – Fundação Padre Antônio Dante Civiero, Teresina (PI), Brasil.

O que sabemos sobre a torta de mamona. Documentos 134. Embrapa. Campina Grande, 2005

Programa Nacional de Bioinsumos. MAPA.

Você conhece a trajetória dos Fertilizantes Organominerais? Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal